quinta-feira, 30 de julho de 2009
Uma crônica familiar (esse texto de Aninha captou bem a essência do nosso almoço de sábado)
Quando recebi o convite para almoçar com aquela família, gaguejar foi minha reação única. Não os conhecia bem e ainda mantinha o maldito temor de julgamento, que me persegue há três encarnações seguidas. Meu amigo Ludovicko Jefferson da Silva, com seus bordões surrados e rimados, disse: “vai lá. O que dá pra rir dá pra chorar. Qualquer resultado que houver, você o transforma em prosa de mulher”. Fui, pois desobedecer ao Ludo significa aturar o falatório dele por horas, dias e noites.
Lá chegando, a primeira visão que tive foi da sala de refeições, formada por sofás confortáveis, mesa homérica para 12 pessoas e uma menor, de “apoio”, para outras seis. Quando dei por mim, estava no reino mágico da prosopopéia, no meio de umas 15 pessoas que conversavam em pares - no máximo. em trios - falando alto, com gestos largos e assuntos diversos. Eles papeiam sempre 50 decibéis a mais do que qualquer um e carecem de pelo menos de um metro de diâmetro para gesticular. Os grupos mudavam a todo instante, de acordo com um novo assunto lançado. A sala mais parecia redação de jornal, com todos falando em muito alto e bom som. Deus me livre de pedir o sal!
Eles são daquelas pessoas que têm um plus-adicional a mais. Não conseguem verbalizar nada sem figuras de linguagem. Eufemismos, metáforas e onomatopéia permeiam aquelas conversas. São exagerados, pleonasticamente hiperbólicos, redundantemente enfáticos, daquele tipo “muito-que-só-a-gota” e “de-com-força” Tudo lá ocorre no superlativo. O almoço é “saborosíssimo”, “gostosíssimo”, a sobremesa não é doce, é “dulcíssima” e o cafezinho final é sempre “quentíssimo”. A fome, claro, é sempre é monstro!
Aliás, mesmo com conversa boa, a comida é a atração principal de lá, pelo que vi. E nunca dá para atender aos gostos de todos, pois sempre há comentários de que um teve bolinhos a menos. E pense num povo opinioso. Todo mundo confere atributos (bons e ruins) aos pratos. “Meu bacalhau é melhor”, “o creme de morango tem que ser com leite condensado”, “o abacaxi está com gosto de manga”. E eu nem consegui elogiar os pratos.
Naquela profusão de amenidades, eles seguem falando de museus, problemas de saúde, shows, novidades da farmácia, restaurantes, viagens, o primo que está nas últimas, a parente que morreu, a dieta que funciona, a gravidez de uma, o casamento da outra e por aí vai. Não é que o jardim de lá seja mais verde, mas a alegria deles me pareceu maior que a do resto da humanidade. E as dores também. Tenho certeza de que aquela raça tem mais lágrimas e tem mais risos. Eles são uns loucos. Uns pelos outros.
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
Olha quem está chegando em Recife
estamos chegando em Recife dia 15 de Agosto, em pleno dia de almoço de sábado! Chegamos no aeroporto às 12:10h.
O Arthur está doidinho para mexer nas coisas da Bisa. Ele não pára quieto nem um minutinho... Está muito esperto. Malu que aguarde as beijocas que ela ganhará do primo.
Beijos grandes para todos
Ju, Edu e Arthur

